A eleição para a vaga no Tribunal de Contas da União que consagrou, por ampla margem, o deputado Odair Cunha (PT-MG) terminou marcada por mais um episódio de divisão dentro do clã Bolsonaro. Indicada pelo senador Flávio Bolsonaro como alternativa na disputa, a deputada Soraya Santos (PL-RJ) desistiu da corrida durante a votação, movimento que despertou questionamentos sobre a coordenação política do grupo e as prioridades do PL na sessão em Brasília.

Soraya comunicou publicamente que havia decidido encerrar a candidatura por vontade própria, mas relatos obtidos por veículos que cobriram a disputa dão conta de que a retirada foi costurada por interlocutores do próprio Flávio. Integrantes da ala bolsonarista que acompanharam a parlamentar classificaram a pressão como uma espécie de violência política, argumentando que a manutenção da candidatura poderia transformar Soraya em alvo de responsabilização caso o nome apoiado pelo governo saísse derrotado.

A reação externa também foi visível: apoiadoras próximas, incluindo expressões de desapontamento nas redes sociais por parte de figuras ligadas ao ex-presidente, manifestaram apoio à deputada. Com a saída de Soraya, Flávio passou a endossar o deputado Elmar Nascimento (União-BA), que obteve apenas 96 votos — menos da metade do placar do candidato apoiado pelo presidente Lula —, deixando a oposição longe do resultado e ampliando críticas internas sobre a estratégia adotada.

O episódio acende alerta sobre custo político e coerência do discurso do núcleo bolsonarista: a promoção de candidatas mulheres como sinal político foi questionada pela decisão de abandonar a postulante na reta final. Para o PL, o caso representa um desgaste adicional numa frente em que a oposição já buscava recuperar espaço; para Flávio, expõe contradições na gestão de alianças e pode gerar pressão por explicações públicas, enquanto aliados analisam os efeitos sobre a reputação do grupo à medida que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026.