As novas informações surgidas na investigação sobre o Banco Master colocam Alexandre de Moraes em posição delicada no plano institucional. Documentos fiscais encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80.223.653,84 do banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 — uma média mensal próxima de R$ 3,6 milhões, distribuída em 22 pagamentos com valores praticamente idênticos. Os repasses foram formalmente declarados à Receita, o que afasta, à primeira vista, a hipótese de caixa dois, mas não mitiga o constrangimento político e institucional que a situação gera para um ministro do Supremo.
Há aqui uma distinção importante entre regularidade contratual e aparência de conflito. A prestação de serviços advocatícios é lícita, mas contratos com atores centrais de investigações sensíveis interferem diretamente na percepção pública sobre imparcialidade. O episódio já produziu efeitos no próprio julgamento: o ministro Dias Toffoli declarou-se impedido da relatoria do caso, que passou a André Mendonça. Paralelamente, há relatos de negociações de delação premiada envolvendo o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e interlocuções com o ambiente do Judiciário, elementos que ampliam o quadro de riscos políticos e reputacionais.
Os documentos mostram repasses formais de R$ 80,2 milhões do Banco Master ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes entre fev/2024 e nov/2025.
Além dos repasses ao escritório, os documentos apontam outras conexões embaraçosas. Há indícios de que Moraes teria utilizado, em oito ocasiões entre maio e outubro de 2025, aeronaves vinculadas a empresa ligada ao banqueiro. O gabinete do ministro negou ter viajado em aeronaves de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel, e disse não conhecer Zettel, mas evitou explicitar voos operados por empresas que foram de Vorcaro, inclusive em datas próximas a encontros com o dono do Master. A ausência de esclarecimentos detalhados deixa margem para interpretações e alimenta pedidos por transparência.
As revelações se somam a informações sobre o patrimônio do casal: desde a posse de Moraes no Supremo, em março de 2017, houve aumento de 266% no patrimônio imobiliário, segundo dados trazidos à CPI pelo relator senador Alessandro Vieira. Hoje, o casal declara 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões e aquisições à vista que, nos últimos cinco anos, somaram R$ 23,4 milhões em Brasília e São Paulo. Esses números, mesmo quando legais, contribuem para uma narrativa pública de proximidade entre o núcleo decisório do banco e o entorno do ministro.
O efeito político é claro: tratam‑se de elementos que fragilizam a autoridade moral do Supremo em debates sensíveis e abrem espaço para críticas sobre aparências e padrões de conduta. Diferente do que ocorreu em julgamentos em que o chamado 'conjunto da obra' fundamentou decisões severas, o caso Master exige provas objetivas para vincular ilegalidade; contudo, a soma de pagamentos, voos e investimentos gera desgaste político real. Cabe ao ministro e à Corte oferecer respostas rápidas e documentadas para conter o custo político e restaurar a confiança institucional.
A situação impõe um dilema de credibilidade para o Supremo e exige esclarecimentos objetivos para evitar que o desgaste institucional se amplie.