O partido Novo protocolou, nesta sexta-feira (31/7), uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para que seja investigado o senador Jaques Wagner (PT-BA). A peça, segundo o partido, fundamenta-se em elementos da Operação Compliance Zero citados na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e pede apuração de eventual quebra de decoro que, se comprovada, pode culminar na cassação do mandato.

Entre as peças tornadas públicas que embasam a ação estão autorizações judiciais para acesso a registros telefônicos e para monitoramento da localização aproximada de aparelhos vinculados ao senador e a outros alvos, por um período de dez dias. O Novo aponta ainda suspeitas levantadas nos autos sobre pagamentos a empresa ligada a membros do núcleo familiar do parlamentar, tratativas relativas a um imóvel em Salvador e uma possível atuação parlamentar em interesses do Banco Master.

No documento, o partido solicita que o Senado requeira ao STF o compartilhamento integral dos documentos, além de ouvir Wagner e os demais investigados. Foram também pedidas informações sobre entradas no gabinete, presentes, viagens e atividades privadas do senador nos últimos 24 meses. A representação destaca que a investigação no âmbito do Conselho de Ética é independente da apuração penal e justifica a abertura de processo ético no Senado.

A iniciativa reforça a pressão política sobre a instalação do Conselho de Ética nesta Legislatura — um colegiado que, na prática, depende do presidente do Senado para ser ativado. A ausência de funcionamento do órgão cria um vácuo institucional que, segundo interlocutores citados pelo partido, prejudica a transparência e eleva o custo político tanto para a Casa quanto para o próprio senador. O Senado informou que, até o momento, não constam entradas formais no sistema de petições do Conselho; a defesa de Wagner não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.