O partido Novo protocolou na noite de 1º de agosto uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suposta propaganda eleitoral antecipada durante convenção do PT em Salvador. A ação alcança também o governador baiano Jerônimo Rodrigues e os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa. O partido pede a aplicação da multa máxima prevista na lei e a retirada do vídeo do canal do PT no YouTube, que transmitiu o evento ao vivo.
No entendimento do Novo, os trechos em que o presidente solicita votos configuram pedido explícito, vetado antes do início oficial do período eleitoral em 16 de agosto. Mensagens do presidente pedindo que militantes não se cansem de votar e lembrando o seu nome na lista de escolhas foram citadas na representação como prova. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, qualificou a prática como evidente e reclamou tratamento igualitário às regras eleitorais.
A representação tem efeito político além do jurídico. Ao reunir pedido de multa e remoção de conteúdo, o Novo busca reforçar fiscalização preventiva e elevar o custo de iniciativas públicas que transgridam o veda mento. No mesmo dia, a convenção do PL também registrou pedido de votos por parte do senador Flávio Bolsonaro, um paralelo que amplia o debate sobre coerência e aplicação das normas eleitorais em diferentes siglas.
O caso reserva consequências práticas: além da possibilidade de sanções administrativas, a ação acende alerta sobre desgaste político para o governo e seus aliados num momento de definição de candidaturas. Caberá ao TSE avaliar se houve infração e qual punição aplicar, num julgamento que pode indicar com que rigor o tribunal pretende fiscalizar manifestações partidárias na pré-campanha.