O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, oficializou nesta quarta-feira o apoio do partido à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação foi acompanhada por declarações de apoio da União Brasil e dos Progressistas, que mudaram a neutralidade adotada no primeiro turno depois do desempenho de Flávio na votação inicial.

Ribeiro justificou a decisão como parte da meta de derrotar o PT e recolocar o país em um rumo de desenvolvimento econômico, enquanto dirigentes da nova aliança celebraram a maioria conquistada pela direita no Senado para 2027. No discurso divulgado, dirigentes também indicaram que a etapa seguinte envolve disputa pelo comando do Senado e reação ao que classificam como excessos do Supremo Tribunal Federal.

Do ponto de vista político, o gesto organiza uma frente conservadora que pode transferir recursos eleitorais importantes para a campanha bolsonarista e reduzir o espaço de manobra do centro. A escalada de apoios também cria pressão explícita sobre o Republicanos, cujo posicionamento — esperado para o fim da noite — pode agregar ou fragmentar o bloco que tenta contrariar o projeto petista.

Para o Novo, a mudança de neutralidade abre um dilema de imagem: a legenda, que vinha tentando se posicionar como opção liberal e pragmática, passa a integrar de forma mais visível uma base associada ao bolsonarismo. Isso pode render ganhos eleitorais no curto prazo, mas também expor o partido a críticas de eleitores moderados que esperavam distância de alianças com figuras polarizadoras.

Na campanha, a lógica proclamada pelas lideranças é pragmática: primeiro consolidar a vitória no segundo turno e só depois discutir programas e cargos. Esse cálculo torna a próxima semana crítica: além de converter apoios em votos, a coligação terá de mostrar capacidade de articulação com o Centrão sem comprometer a narrativa de renovação que alguns desses partidos tentam manter.