O Novo realiza na próxima segunda-feira (27) em Brasília a convenção nacional que oficializará a candidatura de Romeu Zema à Presidência. A direção do partido, contudo, não deve anunciar o nome do vice na ocasião, mantendo a escolha dentro do prazo legal que se encerra em 5 de agosto.

A indefinição amplia a pressão sobre a campanha. Zema chegou a mencionar publicamente a hipótese de convidar Michelle Bolsonaro para o posto, mas a ex-primeira-dama descartou a possibilidade nas redes sociais, lembrando ser filiada ao PL e incapaz de concorrer em chapas distintas. O episódio expõe limites práticos para costuras políticas e reduz as opções imediatas para compor a chapa.

Os números mais recentes do instituto Real Time Big Data reforçam o desafio eleitoral: Zema tem 2% das intenções de voto em cenário estimulado para o 1º turno. Em um eventual 2º turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador aparece com 38% ante 44% de Lula. A pesquisa também aponta rejeição alta a nomes da polarização — o senador Flávio Bolsonaro registra 50% de rejeição e Lula 48% —, evidenciando espaço, mas também risco, para candidaturas alternativas.

Na prática, o Novo entra na fase final de convenções com duas obrigações imediatas: escolher um vice que some politicamente e demonstrar crescimento nas próximas semanas. Se a intenção for se consolidar como terceira via, a campanha terá de apresentar sinais claros de viabilidade e alianças rápidas; sem isso, corre o risco de permanecer marginalizada e de dispersar votos que poderiam convergir em um adversário da polarização.