O diretório do Partido Novo em Minas Gerais defendeu a legalidade da doação de R$ 1 milhão feita pelo empresário Henrique Vorcaro ao partido em 2022 e ressaltou que o repasse consta nas prestações de contas eleitorais. A posição foi formalizada em nota assinada por Christopher Laguna, presidente da legenda no estado, depois que o episódio voltou à cena política na última semana.

A repercussão do caso decorreu de uma publicação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que resgatou o registro da contribuição no contexto de um embate envolvendo membros da família Bolsonaro e o ex-governador Romeu Zema. O ex-governador, que deixou o governo em março para disputar a Presidência, reiterou que nenhum recurso da doação entrou em sua campanha pessoal e que o repasse ocorreu ao partido, não a candidatos.

No texto, o Novo enfatiza ter transparência sobre as origens de suas receitas e afirma que sua bancada e a direção do partido têm cobrado e participado das apurações ligadas aos escândalos envolvendo o Banco Master. O diretório mineiro defende ainda a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para aprofundar as investigações sobre o caso, diante da gravidade das denúncias que atingem a instituição financeira.

Politicamente, o resgate da contribuição funciona como sinal de alerta para Zema e para o Novo: mesmo com a doação registrada em 2022, a associação entre a legenda e um empresário ligado ao Banco Master pode ampliar desgaste em ano eleitoral e oferecer munição a adversários. Ao mesmo tempo, a defesa da legalidade e o apelo por investigação mostram a tentativa do partido de transformar risco reputacional em posicionamento institucional.