O Novo descartou que Romeu Zema abra mão da própria candidatura para compor a chapa de Augusto Cury (Avante) como vice — e também não admite o inverso. A avaliação de dirigentes e interlocutores do partido é de que a carta pública divulgada por Cury, em 30 de julho, expressou mais desejo de provocar um movimento político do que uma negociação real. Levantamento do Datafolha divulgado na segunda‑feira anterior mostrou que, somados, Zema e Cury atingiriam apenas 5% das intenções de voto (3% e 2%, respectivamente).

Fontes do Novo ouvidas pelo portal entendem que o anúncio de Cury teve efeito de 'inflar' sua campanha diante do fraco desempenho nas pesquisas. A leitura interna é política e pragmática: uma aliança não compensaria a perda de identidade do partido nem agregaria votos suficientes para alterar a dinâmica frente à polarização. A legenda mantém o cronograma e promete definir o nome para a vice‑presidência até a data limite, 5 de agosto; a hipótese de Joaquim Barbosa, mencionada por Zema, tende a ser descartada.

O partido ainda negocia com o Podemos — a presidente Renata Abreu aparece como uma alternativa, mas interlocutores do próprio Podemos têm sinalizado neutralidade e podem dificultar a costura. Com o fechamento dessas frentes, o Novo admite trabalhar com a hipótese de chapa pura, com nomes como o senador Eduardo Girão (CE) e Felipe D’Ávila entre os cotados. A situação expõe um desafio: como transformar presença administrativa e discurso fiscal em competitividade eleitoral num ambiente que privilegia nomes já consolidados?

A tensão é óbvia: o movimento amplia o alerta sobre a capacidade do centro direitista de disputar espaço num quadro polarizado. Para o Novo, a escolha que se aproxima será dupla — um cálculo técnico sobre somas eleitorais e uma decisão estratégica sobre identidade partidária. O prazo para o anúncio do vice será um teste sobre a capacidade do partido de traduzir governismo e responsabilidade fiscal em força eleitoral concreta, sem ceder à lógica de anúncios que apenas simulam protagonismo.