O governo lançou o Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas destinado a famílias, estudantes, microempresas e agricultores familiares. Podem aderir pessoas com renda de até cinco salários mínimos; o programa prevê descontos entre 30% e 90% sobre saldos vencidos, com a projeção oficial de desconto médio em 65%. A prioridade é aliviar o endividamento das famílias — foco expresso pela equipe — em meio à taxa recorde de famílias com contas em atraso.

A renegociação abrange dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso superior a 90 dias e até dois anos de inadimplência. A nova operação terá juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e teto de R$ 15 mil por pessoa, por instituição, após o desconto. Os bancos operam as renegociações em seus canais e são responsáveis pela oferta prática das condições anunciadas.

Do ponto de vista fiscal, o programa usa R$ 2 bilhões já disponíveis no Fundo Garantidor de Operações (FGO) como garantia inicial e prevê autorização para aporte público adicional de até R$ 5 bilhões, caso seja necessário; o Executivo também cita uso de recursos 'esquecidos' em bancos. Trata-se, portanto, de uma intervenção que transfere risco privado ao espaço público em cenário de fragilidade do consumo — elemento que acende alerta sobre custo político e fiscal caso a adesão e a inadimplência não evoluam conforme o previsto.

Há medidas complementares: possibilidade de uso de até 20% do saldo líquido do FGTS para amortizar a nova dívida, perdão automático de dívidas inferiores a R$ 100 por parte dos bancos e exigência de que eles destinem parcela à educação financeira. Para o governo, o objetivo é limpar nomes e recompor oferta de crédito; para a oposição e para o mercado, o desafio será avaliar se o instrumento reduz o endividamento estrutural sem criar passivos fiscais maiores.