O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um novo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo os autos, a investigação mira uma possível atuação do filho do presidente em contratos relacionados à Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. A medida amplia para mais uma frente as apurações que já associam Lulinha a negociações junto ao Executivo.

A decisão soma-se à autorização anterior, também assinada por Mendonça, para investigar supostas tentativas de favorecer a comercialização de cannabis medicinal por meio de programas do Ministério da Saúde. Ambas as linhas estão vinculadas ao processo que apura fraudes no INSS e citam a atuação conjunta de empresários, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como 'Careca do INSS' — e o filho do presidente na tentativa de firmar contratos com o governo. A defesa do investigado diz que não há elementos concretos e classifica o procedimento como busca inicial de provas.

A repercussão política foi imediata. Pré-candidatos da oposição utilizaram o caso para reforçar críticas ao governo e pediram investigação sem privilégios para autoridades ou familiares. Figuras do campo conservador afirmaram que episódios envolvendo parentes de agentes públicos tendem a aumentar o desgaste da política perante a opinião pública e podem ter reflexo na disputa presidencial de 2026. Alguns adversários chegaram a caracterizar o episódio como exemplo de prática recorrente que exige postura firme das instituições.

Do ponto de vista político, a nova investigação acende alerta para o Palácio do Planalto: além do custo reputacional, o caso complica a narrativa de normalidade em torno da gestão e exige resposta clara sobre transparência e limites entre família e poder público. Para a oposição, os números e episódios recentes reforçam argumento de desgaste; para o governo, a prioridade será demonstrar que não há interferência institucional e permitir que as apurações avancem com celeridade. Trata‑se, neste momento, de um retrato que pode influenciar a agenda eleitoral, não de uma previsão sobre desfechos penais ou eleitorais.