O partido Novo protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) pedindo a cassação da chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) e a declaração de inelegibilidade de ambos por oito anos. A iniciativa tem como base um levantamento interno que lista 35 medidas do governo federal tomadas desde o início do ano, das quais 12 foram editadas entre 16 de agosto e 16 de outubro, período que o partido considera eleitoral. Paralelamente, a legenda apresentou ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma representação para examinar os efeitos fiscais do conjunto de atos.

Na ação, o Novo questiona mecanismos como o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, a ampliação de subsídios a combustíveis, o programa Desenrola 3.0, a extinção da chamada 'taxa das blusinhas', a vedação às apostas de quota fixa (bets) e sucessivas aberturas de créditos extraordinários. A direção da sigla afirma que tais iniciativas são medidas de apelo popular com potencial eleitoral e que parte delas teria sido adotada sem compensação orçamentária, o que, segundo o partido, configura abuso de poder político.

O movimento do Novo acende alerta político: ao transformar decisões administrativas em objeto de disputa eleitoral, a ação amplia desgaste sobre a estratégia do governo e complica a narrativa oficial de normalidade fiscal. No plano institucional, a entrada concomitante no TSE e no TCU reforça a pressão por escrutínio técnico e jurídico das operações apontadas, além de potencialmente tensionar a relação do Executivo com o Legislativo em torno de compensações e ajustes orçamentários.

Do ponto de vista processual, a AIJE invoca dispositivos que tratam de abuso de poder político — caberá ao TSE avaliar se as medidas apontadas se encaixam no conceito legal e se há nexo causal entre atos administrativos e finalidade eleitoral. Independentemente do resultado, a disputa judicial coloca o governo em posição defensiva nas semanas que antecedem o pleito e tende a mover o debate público para a combinação entre escolhas de política pública e suas consequências fiscais.