O Diretório Estadual do Partido Novo em Santa Catarina retirou nesta segunda-feira o convite a Romeu Zema para o 7º Encontro Estadual da legenda, marcado para 4 de julho em Joinville. A nota assinada pelo presidente estadual, Kahlil Elias Assib Zattar, condiciona o apoio à indicação do pré-candidato à adoção de uma “mudança drástica e imediata” na equipe de comunicação da campanha, sob pena de posicionamento contrário à candidatura.
O desconvite é reação direta às declarações de Zema sobre o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, reveladas por gravações vazadas. O pré-candidato criticou a aproximação entre Bolsonaro e Vorcaro, comentando o teor das conversas que ganharam repercussão pública. A família Bolsonaro reagiu: Eduardo Bolsonaro sugeriu ruptura entre o grupo e o Partido Novo, pressionando ainda mais um ambiente já sensível.
Mais do que um episódio de desgaste retórico, a movimentação de Novo-SC expõe fissuras na base do partido e complica a narrativa de união da direita que Zema busca construir para 2026. Ao condicionar apoio a mudanças na comunicação, o diretório estadual transforma um problema de imagem em questão de comando interno, sinalizando falta de confiança na estratégia nacional da campanha.
No plano eleitoral, a disputa pode ter efeitos concretos. Um racha formal entre diretórios locais e a direção nacional enfraquece a projeção de candidatura competitiva e aumenta o custo político de eventuais ajustes de rota. A exigência pública por troca de equipe coloca Zema diante de um dilema: acomodar reivindicações regionais e parecer recuado na gestão da campanha, ou manter equipe e arriscar perder apoio em estados onde o Novo pretende crescer.
A campanha de Zema foi procurada e não respondeu até a publicação. O episódio acende alerta sobre a capacidade do pré-candidato de costurar alianças no campo conservador e de controlar danos internos. Nas próximas semanas será decisivo observar se haverá uma recomposição interna, se Novo-SC formaliza oposição e até que ponto a pressão da família Bolsonaro seguirá definindo o ritmo desse conflito.