O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), reagiu diretamente à primeira versão da carta assinada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que o presidente da República é aquele declarado eleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A declaração foi dada ao Estadão em resposta à passagem da carta em que Flávio se colocava como o “verdadeiro presidente eleito”, posição que havia gerado polêmica e sido classificada por críticos como tentativa de contestar o resultado oficial.

Nunes aproveitou a fala para cobrar uma agenda de ajustes do Executivo: cobrou foco na correção de rumos, com ênfase em medidas econômicas, e destacou que o papel da oposição é fiscalizar e exigir o cumprimento das promessas feitas em campanha. O prefeito, que chegou a apoiar Flávio durante a disputa eleitoral, aparece aqui em tom mais institucional, priorizando a normalização do debate após a turbulência provocada pela carta.

No mesmo dia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse ao jornal que “a eleição acabou” e que é preciso olhar para a frente, reforçando um movimento de governadores e líderes políticos de reconhecimento do resultado eleitoral. Esse alinhamento público de nomes do centro-direita contribui para reduzir o espaço político de narrativas de contestação e sinaliza que, entre aliados, cresce a prioridade em relação à responsabilidade administrativa e à estabilidade institucional.

A posição de Nunes tem efeito político prático: ao reafirmar a autoridade do TSE e ao cobrar correções de rumo do Executivo, o prefeito coloca-se na trilha de exigir resultados concretos do governo, transformando incômodo retórico em pauta de governança e fiscalização. Para o Planalto, trata-se de um chamado para priorizar a economia e as entregas; para a oposição, um aviso de que a vigilância parlamentar e pública sobre promessas e gastos será um dos vetores centrais do debate nos próximos meses.