O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação da Corte a apuração, “com máxima urgência”, da circulação de conteúdos vinculados ao canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”. No despacho assinado em 11/10, o ministro solicitou informações sobre a existência de mensagens idênticas ou substancialmente equivalentes em outras plataformas e se houve atuação coordenada para promovê‑las.

Nunes Marques pediu ainda que a equipe técnica informe quais providências já foram adotadas e apresente elementos capazes de avaliar eventuais riscos à integridade do processo eleitoral. O documento deixa explícito que não há, no momento, conclusão sobre disseminação coordenada: a solicitação é para reunir subsídios que permitam uma análise mais técnica e fundamentada.

A medida ocorre no contexto do embate sobre o canal, criado pelo deputado André Janones (Rede‑MG) e usado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha do senador Flávio Bolsonaro acionou a Corte alegando que o espaço veicula conteúdos desinformativos e ofensivos. No domingo, Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal em até três horas após notificação do WhatsApp, decisão que foi revertida pelo corregedor‑geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Cueva restabeleceu o canal ao considerar insuficientes os elementos apresentados para a suspensão e ressaltou a necessidade de observar as competências internas do TSE.

O episódio evidencia uma divisão de critérios dentro da própria Corte e acende alerta sobre a capacidade do TSE de responder com rapidez e uniformidade a casos que cruzam redes sociais e aplicativos de mensagem. Além de exigir maior clareza procedimental, a disputa interna pode ser explorada politicamente por atores que questionam a imparcialidade das medidas ou reclamam excessos. A avaliação técnica solicitada por Nunes Marques será, portanto, determinante não apenas para o mérito do caso, mas para a imagem institucional do tribunal nas próximas etapas da disputa eleitoral.