Kassio Nunes Marques toma posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 12 de maio, em cerimônia na sede do Tribunal seguida de jantar comemorativo em um salão da Asa Sul, em Brasília. O evento foi organizado no modelo “por adesão”: convites individuais a R$ 800 que, segundo a organização, servem para custear a confraternização. Até o momento, foram arrecadados cerca de R$ 640 mil.

A venda dos ingressos está sob responsabilidade da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que, segundo o divulgado, atua apenas como intermediária financeira e não assume os custos operacionais do evento. Como de praxe no protocolo, foram convidados todos os ex-presidentes da República. Entre os nomes citados estão Jair Bolsonaro e Fernando Collor — ambos em regime de prisão domiciliar — cujas presenças estão condicionadas a autorização do ministro Alexandre de Moraes.

O formato e o valor dos convites acendem alerta sobre a percepção pública do TSE: em um momento em que o Tribunal terá papel decisivo nas eleições de 2026, a escolha por um jantar pago a preço elevado corre o risco de ser interpretada pelo eleitorado como distância em relação à sociedade e suscita questionamentos sobre imagem institucional. A presença eventual de ex-presidentes ligados a controvérsias judicialmente sensíveis pode politizar ainda mais a cerimônia, dependendo da decisão judicial sobre autorizações.

A postura de Nunes Marques também contrasta com as opções de seus antecessores imediatos: Cármen Lúcia optou por não realizar evento de confraternização na posse de 2024, enquanto Alexandre de Moraes realizou, em 2022, um coquetel no próprio Tribunal com público amplo. À frente da Corte eleitoral durante o ciclo de 2026, o novo presidente terá de combinar iniciativa institucional com gestão de imagem e transparência, para evitar que atos protocolares se transformem em foco de desgaste político.