Em pronunciamento na noite de domingo (25/10), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, anunciou o encerramento formal dos procedimentos do segundo turno e disse ter estabelecido contato telefônico com os dois candidatos para comunicar o desfecho das urnas. Ele fez menções de congratulação a ambos os concorrentes; ao vencedor, desejou reconhecimento pela vitória nas urnas.

Apesar do gesto comunicativo, a atuação de Nunes Marques ficou marcada por questionamentos sobre a condução processual. Campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro apresentaram pedidos de prorrogação do horário de votação motivados por problemas climáticos e de transporte. O ministro demorou mais de duas horas para se manifestar sobre a solicitação do PT, e optou por solicitar informações aos Tribunais Regionais Eleitorais até o fim da votação, sem decretar a extensão do horário.

A sequência de decisões — o pedido protocolado pela campanha de Flávio às 15h27 e encaminhado a Nunes Marques às 15h43, a reação tardia e a falta de decisão direta — levou o PT a recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Esse desdobramento expõe fragilidades do rito decisório em momentos críticos e acende alerta sobre a capacidade do TSE de responder com agilidade a incidentes que comprometam o acesso ao voto. Politicamente, a demora amplia desgaste institucional e complica a narrativa de uma administração eleitoral imune a falhas operacionais.

O telefonema para os candidatos e as felicitações formais não neutralizam o custo político e de confiança gerado pela operação. Para além da confirmação do resultado, resta ao TSE a necessidade de explicar procedimentos, acelerar protocolos e reduzir margem para contestações jurídicas em eleições futuras — sob pena de aumentar a tensão entre tribunal, partidos e o próprio STF.