O ministro Kássio Nunes Marques convidou o ex-presidente Jair Bolsonaro para a cerimônia em que assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A posse, marcada para esta terça-feira, terá André Mendonça como vice-presidente da Corte. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe e outros crimes.
O convite, segundo a tradição do tribunal, é protocolar e inclui todos os que exerceram a Presidência da República no período democrático — o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi chamado. Mas a participação de Bolsonaro não depende apenas do desejo do convidado: ele precisaria de autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator da ação penal que levou à sua prisão.
Reportagens indicam que Bolsonaro não deve pedir a liberação para comparecer. Ainda que formalmente rotineiro, o gesto de Nunes Marques tem peso político: ele e André Mendonça foram indicados ao STF pelo próprio Bolsonaro e passarão a conduzir a Corte eleitoral em ano de eleições, fato que amplia o escrutínio sobre a percepção de independência do tribunal.
A antecipação da saída da ministra Cármen Lúcia e a transição na presidência do TSE chegam num momento sensível. Mais que um protocolo, o episódio promete alimentar discussão política sobre limites, símbolos e a necessidade de clareza institucional para preservar a confiança na supervisão do processo eleitoral.