Na primeira sessão plenária sob sua presidência, Nunes Marques colocou a defesa da urna eletrônica no centro do discurso ao lembrar os 30 anos do sistema de votação. O ministro afirmou que o equipamento mudou o processo eleitoral brasileiro e insistiu que se trata de um patrimônio da Justiça Eleitoral que precisa ser protegido. A fala ocorreu no início da preparação institucional para as eleições de 2026, um calendário que volta a expor o tribunal às disputas políticas em torno do método de apuração.
Ministros e representantes do Ministério Público Eleitoral saudaram a nova gestão, e o vice-presidente André Mendonça destacou a intenção de trabalho conjunto entre magistratura, advocacia e Ministério Público para garantir o próximo pleito. O elogio e a promessa de cooperação ajudam a compor uma frente institucional, mas não eliminam o contexto: nos últimos anos o sistema eletrônico foi alvo reiterado de ataques e questionamentos por setores políticos, o que mantém viva a necessidade de resposta técnica e comunicação pública eficaz.
A presença no plenário de figuras como Floriano de Azevedo Marques — que enfatizou a capacidade de diálogo do novo presidente — e a entrada de Dias Toffoli na vaga deixada por Cármen Lúcia reforçam a leitura de que o tribunal busca estabilidade interna. Ainda assim, a defesa retórica da urna não dispensa medidas concretas para recuperar a confiança: auditorias, transparência nos testes e interlocução com partidos e sociedade são exigências práticas para reduzir dúvidas e neutralizar narrativas de desgaste.
O calendário de 2026 será o teste prático dessa estratégia. A sinalização de proteção ao sistema eletrônico traça o rumo da gestão, mas também acende um desafio político: transformar discurso em ações verificáveis que impeçam que questionamentos se traduzam em crise institucional ou perda de legitimidade. Para o TSE, o custo de não demonstrar resultados pode ser superior ao custo de reafirmar, com fatos, a segurança das urnas.