O ministro Kassio Nunes Marques foi eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em votação plenária nesta terça-feira; o ministro André Mendonça assume a vice-presidência. A escolha, formalizada por voto, segue a prática de escolher o integrante mais antigo da Corte entre os ministros do Supremo que ainda não ocuparam a cadeira — rito que confere caráter técnico-rotineiro ao processo.
A nova gestão receberá a responsabilidade de comandar a organização do pleito de outubro. Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização do uso indevido de inteligência artificial, a proibição de deepfakes, o combate à desinformação e ações contra a violência política de gênero, além do aprofundamento de políticas afirmativas para comunidades tradicionais e quilombolas.
Apesar do tom técnico da sucessão, o fato de Nunes Marques e Mendonça terem sido indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e dividirem alinhamento ideológico tende a ampliar a atenção sobre a percepção de independência do tribunal. A formação da mesa diretora do TSE em ano eleitoral não cria, por si, conflitos jurídicos imediatos, mas pode gerar questionamentos e pressão política sobre decisões sensíveis.
A ministra Cármen Lúcia antecipou a troca para dar mais tempo de transição — argumento usado para facilitar o compartilhamento de dados e o planejamento logístico com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Com a mudança, Dias Toffoli passa a compor a representação do STF no colegiado; as vagas do STJ e os demais nomes completam a composição que terá de garantir cronograma e segurança jurídica até o dia da votação.