Durante a abertura do seminário Seta Debate, nesta quarta-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, apontou os desafios que a inteligência artificial impõe ao período eleitoral: deepfakes, ataques ao sistema e uma onda crescente de desinformação. Foi o primeiro evento público do magistrado como presidente do tribunal e sua fala combinou inquietação com afirmações de confiança no trabalho da corte.
Marques disse sentir-se confortável com a dedicação da equipe técnica do TSE e afirmou que o tribunal vem trabalhando "continuamente" para enfrentar essas eventualidades. Reforçou ainda que a tecnologia não é, em si, inimiga da democracia, mas que seu uso opaco ou manipulativo exige controles públicos, auditoria, segurança e transparência para preservar a confiança social.
O reconhecimento do problema pelo presidente do TSE é relevante, mas não elimina perguntas práticas: a velocidade e sofisticação de deepfakes e campanhas automatizadas de desinformação testam a capacidade operacional da Justiça Eleitoral, a necessidade de investimento contínuo, a articulação com plataformas digitais e eventuais lacunas legais. A promessa de preparo do tribunal precisa se traduzir em medidas públicas, testáveis e auditáveis para valer como garantia.
Politicamente, a declaração busca transmitir proatividade e reduzir o custo de imagem de possíveis falhas, mas também expõe a fragilidade de qualquer sistema diante da escalada tecnológica. O convite ao diálogo com especialistas e a sociedade é um recado correto — resta ver se será suficiente para blindar a legitimidade do processo eleitoral quando confrontado com usos cada vez mais complexos da IA.