O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, recebe nesta terça (13), às 15h30, representantes das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reunião, agendada na semana passada, ocorre em meio a uma sequência de disputas jurídicas entre as partes, com menos de duas semanas para o segundo turno.
No centro do encontro está a controvérsia sobre o canal do WhatsApp chamado 'Exército do Lula', com mais de 3,2 milhões de inscritos e criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Nunes Marques chegou a determinar a suspensão do canal, decisão revogada pelo relator Ricardo Villas Bôas Cueva. A área técnica do TSE, em relatório, afirmou não ter identificado notícias falsas contra Flávio no período de 2 a 11 de outubro; ainda assim, a campanha de Flávio havia denunciado disseminação de conteúdos ofensivos e desinformativos.
Há também o caso das postagens que vinculam Flávio à suposta retirada do título de Nossa Senhora como Padroeira do Brasil. A Corte, por maioria, determinou a remoção das publicações que fazem a ligação direta. Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli acompanharam o voto do relator André Mendonça, que inicialmente propôs restrição total e depois permitiu publicações que não afirmem explicitamente a intenção atribuída ao senador.
O encontro expõe um dilema prático e político para o TSE: conciliar decisões técnicas com pressão de campanhas num momento de tensão eleitoral. A mobilização em torno do 'Exército do Lula' e as intervenções sobre postagens põem foco na capacidade da Corte de aplicar critérios claros sem alimentar narrativas de parcialidade. Para as campanhas, o episódio tem efeito político imediato — reforça estratégias de comunicação, alimenta disputas jurídicas e pode ampliar desgaste institucional nas próximas semanas.