O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8/6) a suspensão imediata da divulgação e a retirada de circulação de pesquisa do Instituto AtlasIntel que indicava queda de cinco pontos nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão acolheu pedido do PL que apontou perguntas com caráter indutivo e o uso de um áudio cuja autenticidade não foi comprovada.

Na fundamentação, Nunes Marques citou a possível utilização do questionário como mecanismo de indução: oito das 49 perguntas tratavam consecutivamente do Banco Master, e expressões com carga valorativa poderiam contaminar respostas sobre imagem, rejeição e intenção de voto. O ministro também destacou diferença de padrão em relação a 27 levantamentos anteriores do mesmo instituto, que não usaram áudios ou formato semelhante.

Tecnicamente, a pesquisa havia entrevistado 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. A decisão fixa prazo de dois dias para que a AtlasIntel apresente documentação técnica justificando metodologia e uso do áudio, e prevê manifestação do Ministério Público Eleitoral antes de submeter o caso ao Plenário do TSE, que deve analisar o tema em sessão prevista para terça-feira.

Politicamente, a medida acende alerta sobre integridade metodológica e o papel do Judiciário na regulação de pesquisas em campanha. A suspensão chega em momento de desgaste já sinalizado por outros levantamentos, mas também pode gerar debate sobre efeito inibidor sobre institutos e repercussão rápida nas redes, risco que o próprio magistrado citou ao assinalar potencial dano de difícil reversão. Para o PL, é uma vitória procedural; para a oposição e para o mercado político, a disputa de narrativas deve se intensificar nas próximas horas.