O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, usou o encerramento da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação para advertir sobre o efeito político da desinformação: segundo ele, desacreditar as urnas é uma forma de afastar o eleitor da votação. A semana terminou neste domingo (9/8) com a 1ª Corrida pela Democracia, no Autódromo Nelson Piquet, em Brasília, evento que marcou a agenda de demonstração pública do funcionamento das urnas.
Entre as ações promovidas pelo TSE esteve a abertura de urnas transmitida ao vivo na segunda-feira (3/8), considerada por ministros como ferramenta de transparência. Além da Corte, outros nove Tribunais Regionais Eleitorais repetiram a experiência. Apresentações em escolas, shoppings e pontos de grande circulação integraram a estratégia para contrapor narrativas falsas sobre o processo de votação.
O tribunal também anunciou a criação de um grupo de trabalho e de um Conselho Consultivo sobre integridade informacional para monitorar o uso de inteligência artificial e deepfakes. O TSE afirma que as áreas de monitoramento estão "bem equipadas" e que mantém diálogo com plataformas digitais, que teriam concordado com um plano de conformidade. O tribunal, porém, informou que os integrantes do conselho ainda não foram definidos e que não haverá remuneração para os membros.
A iniciativa alia discurso de transparência a uma preocupação real com tecnologias capazes de amplificar mentiras. Ainda assim, a indefinição sobre a composição do conselho e a ausência de remuneração técnica podem limitar a capilaridade e a rapidez da resposta. No curto prazo, o desafio é evitar que ataques às urnas comprometam a participação e a legitimidade do processo eleitoral; no médio prazo, depende-se do cumprimento efetivo dos termos acordados com as plataformas e da capacidade operacional da Justiça Eleitoral.