O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, tem sinalizado internamente que há maioria formada para confirmar a punição aplicada ao instituto AtlasIntel, cuja pesquisa divulgada em junho foi suspensa por decisão liminar. Segundo interlocutores do tribunal, Nunes Marques espera contar com pelo menos três votos que sustentem o entendimento da liminar, o que consolidaria a interferência do TSE sobre pesquisa considerada por ele dirigida.
A controvérsia começou após recurso do Partido Liberal (PL), que alegou que o questionário do instituto continha perguntas capazes de influenciar respostas, em levantamento que mostrava vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Na avaliação do presidente da Corte, havia indícios suficientes de direcionamento metodológico para justificar a suspensão da divulgação dos números enquanto o processo é analisado pelo plenário.
Nos bastidores, Nunes Marques aposta nos votos dos ministros André Mendonça, Dias Toffoli e Villas Bôas Cueva para formar a maioria. A expectativa de resistência vem da classe dos juristas do tribunal: Floriano Peixoto de Azevedo Marques e Estela Aranha seriam contrários à aplicação de sanção ao instituto, e o voto do ministro Antonio Carlos Ferreira permanece incerto. A ministra Estela devolveu o processo e o pedido de vista deve ser encerrado para que o caso volte à pauta em agosto.
Além da decisão imediata sobre o AtlasIntel, ministros e assessores veem no julgamento um efeito simbólico e prático para o período pré-eleitoral: a definição poderá servir de parâmetro para litígios sobre metodologia e divulgação de pesquisas à medida que a disputa por 2026 se aproxima. Para o TSE, a consolidação de um entendimento claro reduziria a insegurança jurídica; para partidos e institutos, porém, a ampliação do controle judicial sobre levantamentos pode significar maior exposição a contestações e restrições operacionais.