O jornal The New York Times publicou nesta quinta-feira que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil teve apoio de um integrante próximo à Casa Branca. Segundo a reportagem, Jason Miller, que atuou na comunicação do governo Trump, teria sido acionado por Eduardo Bolsonaro após a intimação que determinou a entrega dos passaportes, e providenciou a aeronave particular que levou o parlamentar e sua família aos Estados Unidos.

A articulação, de acordo com o NYT, começou depois da medida cautelar assinada pelo ministro Alexandre de Moraes no domingo (25/10). O deslocamento ocorreu em etapas: saída da Argentina na noite de 27/10, parada para reabastecimento no Equador e chegada a Miami. A reportagem também diz que Flávio prepara pedido de residência permanente nos EUA, com expectativa de tramitação acelerada em procedimento comparável ao do irmão Eduardo.

A associação de um funcionário ligado à administração Trump a uma operação que permitiu a saída de um político alvo de medida judicial brasileira levanta questões institucionais e diplomáticas. A alternativa de um tratamento acelerado para obter o green card, se confirmada, pode ser interpretada como favorecimento e importa em perguntas sobre igualdade de tratamento entre cidadãos e respeito às decisões judiciais brasileiras.

As declarações públicas do próprio Donald Trump, que voltou a criticar o resultado da eleição presidencial brasileira e disse considerar o processo 'vergonhoso', acrescentam dimensão política ao episódio. Trump afirmou ter acompanhado a votação, citou a reação do mercado e disse pretender parabenizar o presidente Lula, mesmo reiterando que não tomou partido oficialmente.

A reportagem do NYT, baseada em fontes e entrevistas, põe no centro do debate a possibilidade de interferência de agentes estrangeiros em movimentações que tocam a soberania e o cumprimento de medidas judiciais nacionais. Se confirmadas, as informações devem aprofundar o escrutínio sobre o papel de atores internacionais no capítulo final da campanha e sobre eventuais repercussões nas relações Brasil–EUA.