A Ordem dos Advogados do Brasil formalizou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acusação de violação do sigilo profissional pela Polícia Federal em diligências realizadas no escritório do advogado Willer Tomaz, no Lago Sul. Em petição, a entidade — por meio do representante Michael Gleidson Araújo Cunha, que acompanhou as buscas — pediu ingresso como assistente no processo para acompanhar a tramitação e proteger direitos dos clientes.

Segundo o documento obtido pela reportagem, agentes teriam recolhido equipamentos de informática e documentos referentes a clientes que não guardam relação com o objeto do mandado expedido pelo ministro André Mendonça. O mandado determinava a preservação do sigilo profissional e autorizava a apreensão apenas de materiais relacionados às apurações sobre suposto envolvimento do advogado com o senador Weverton Rocha, no âmbito da Operação Sem Desconto.

O representante da OAB relata ainda resistência da autoridade policial em submeter à triagem, indicada no próprio mandado, qualquer material considerado vinculado a sigilo profissional ou a terceiros alheios à investigação. Foi também registrado que integrantes da equipe teriam fotografado documentos com celulares pessoais e compartilhado imagens via aplicativos de mensagem, orientação que, segundo a OAB, retornou da coordenação da operação no sentido de apreender o material.

A denúncia levanta dúvidas sobre o respeito às salvaguardas legais em buscas contra advogados e acende alerta quanto ao risco de comprometimento de defesas e de processos que tramitam no STF. A Polícia Federal não havia se manifestado até a publicação. A OAB solicita que eventuais materiais sigilosos sejam previamente submetidos ao relator antes de serem disponibilizados às equipes investigativas.