A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará reagiu às declarações da desembargadora Eva do Amaral Coelho feitas em sessão da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Na fala, a magistrada citou valores recebidos — R$ 91 mil em março e R$ 216 mil no primeiro trimestre — e associou a redução de benefícios, os chamados "penduricalhos", a um risco de regressão a um quadro comparável à escravidão.
No pronunciamento público, a OAB-PA disse que a manifestação da magistrada "merecia maior cuidado", dada sua posição e relevância no debate público. A entidade manifestou preocupação com a possibilidade de que comentários sobre dificuldades financeiras na carreira transmitam à sociedade uma percepção de distanciamento em relação à realidade da maioria dos brasileiros, e pediu sensibilidade diante do cenário econômico e social.
O embate expõe dois riscos institucionais: primeiro, a politização do tema da remuneração judicial, que requer debate técnico sobre legalidade e responsabilidade fiscal; segundo, a deterioração da imagem do Judiciário quando vozes de alta relevância usam linguagem inflamatória. Em momentos de ajuste de gastos, episódios como este alimentam narrativas que podem reduzir a confiança pública e transformar uma questão orçamentária em crise de legitimidade.
A OAB-PA reconheceu a trajetória da desembargadora, mas cobrou equilíbrio e atenção ao impacto social das falas públicas. A rigorosa separação entre crítica legítima e retórica exagerada é necessária para que a discussão sobre benefícios se mantenha no campo técnico e institucional, sem afastar o Poder Judiciário da sociedade que ele serve.