A Ordem dos Advogados do Brasil decidiu na noite desta quarta-feira protocolar junto ao Supremo Tribunal Federal pedido de acesso integral aos autos e levantamento do sigilo das investigações do chamado Caso Master. A iniciativa, anunciada pelo presidente da entidade, Beto Simonetti, foi aprovada após reunião extraordinária do Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais, que reuniu representantes de todos os estados na sede da OAB Nacional, em Brasília.

A OAB informou que a medida tem por objetivo esclarecer dúvidas surgidas sobre eventual participação de autoridades na investigação. Para isso, será formada uma comissão especial composta por presidentes de seccionais, conselheiros federais e juristas, encarregada de examinar documentos, mensagens e outros elementos reunidos nos autos. O relatório produzido pela comissão será submetido ao Pleno do Conselho Federal, que decidirá eventuais encaminhamentos posteriores.

Apesar de ter debatido medidas mais contundentes, a Ordem optou por não pedir, no momento, afastamentos de ministros do STF nem iniciar pedidos de impeachment. A decisão foi justificada pela ausência de processo instaurado no Supremo e pela insuficiência de elementos, segundo Simonetti. Ao mesmo tempo, a OAB reiterou pedido de arquivamento definitivo do Inquérito das Fake News, posição que já havia sido manifestada em fevereiro.

A movimentação eleva o tom da cobrança institucional por transparência e acende alerta sobre a necessidade de respostas públicas do Judiciário, sem romper formalmente o diálogo entre a Ordem e o Supremo. A ressalva de manter respeito institucional, citada pela direção da OAB, reflete a tentativa de calibrar pressão e prudência: cobrar acesso e esclarecimentos, mas postergar medidas que poderiam transformar o episódio em crise política imediata.