Apontado como o principal nome apoiado pelo governo federal para a vaga no Tribunal de Contas da União, o deputado Odair Cunha (PT-MG) dedicou a sabatina desta segunda-feira a refutar o rótulo de indicação governista. "Minha candidatura não pertence ao governo, não pertence ao meu partido, não pertence à oposição", disse, buscando transformar seu nome em alternativa de consenso.

Ao longo da apresentação, Cunha misturou relato pessoal e discurso técnico. Emocionou-se ao lembrar origem modesta e os 23 anos de vida pública — seis mandatos — para reforçar legitimidade. Defendeu que o TCU deve se afastar de "falsos dilemas" políticos e citou apoio inicial de 12 partidos como prova de amplitude da candidatura.

No plano programático, elencou três eixos: integração com o Congresso, fortalecimento do caráter preventivo do controle e rigor técnico na aplicação de sanções. Defendeu ainda que o tribunal diferencie erro administrativo de prática dolosa e evite o chamado "apagão das canetas", postura que, segundo ele, estimularia gestores a decidir sem medo de punições indevidas. Cunha também ressaltou o papel das emendas parlamentares como instrumento para levar políticas públicas à ponta.

A tentativa de traçar um perfil independente, porém, convive com a realidade política: ser identificado como favorito do governo torna mais difícil convencer adversários e parte da sociedade sobre neutralidade. A votação em plenário, prevista para terça-feira, será o teste concreto dessa narrativa — e também um indicador da capacidade do Congresso de manter uma mira técnica num processo claramente permeado por interesses políticos.