O novo ministro Odair José da Cunha tomou posse no Tribunal de Contas da União em sessão nesta quarta-feira, em Brasília, encerrando uma disputa política acompanhada no Congresso. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, abriu a cerimônia destacando que o cargo exige mais do que status: impõe a obrigação de fiscalizar recursos públicos e equilibrar a análise técnica com a atenção ao impacto das contas na vida dos cidadãos.
Escolhido pela Câmara e depois confirmado pelo Senado, Odair passa a ser o 15º titular da cadeira número 2. Ele precisa formalizar a saída do mandato parlamentar para assumir a vaga que oferece estabilidade até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. A indicação também marca um fato inédito: é a primeira vez que um filiado ao PT chega ao tribunal por escolha do Legislativo, o que tem potencial simbólico e político na composição da Corte.
Deputado por mais de duas décadas, Odair Cunha construiu trajetória ligada a pautas sociais e à articulação política, com passagem por equipe do governo estadual de Minas Gerais. Advogado e formado em comunicação, traz um perfil com experiência legislativa ao ambiente técnico do TCU. Entre as atribuições imediatas do tribunal estão a análise das contas presidenciais e a fiscalização de licitações, contratos e repasses federais — tarefas que terão atenção redobrada diante das expectativas de transparência e rigor.
A posse encerra uma fase de disputa no Congresso, mas abre outro capítulo: a presença de um ministro com vínculo partidário forte, indicado por parlamentares, levanta questões sobre percepção de independência e sobre como o tribunal equacionará técnica e pressão política. No evento também houve gestos de convivência institucional entre parlamentares e ministros, numa cerimônia que reuniu deputados, senadores e integrantes do TCU. A nova composição terá, nas próximas decisões, oportunidade de traduzir o discurso sobre proteção do dinheiro público em prática.