A missão de observação eleitoral da OEA divulgou que monitora denúncias sobre problemas no transporte público em diversas regiões do país durante o segundo turno. A organização, que mobilizou mais de 90 observadores de 23 países, informou que acompanha reportagens e reclamações sobre redução da frota de ônibus, longas filas e dificuldades de deslocamento que, segundo relatos locais, teriam afetado o acesso de eleitores aos locais de votação. A entidade disse também que seguirá atenta às medidas tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As queixas tiveram consequências práticas: coligações acionaram a Justiça Eleitoral em estados como São Paulo e Bahia; em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral determinou recomposição da frota e a gratuidade para passageiros, após fiscalização do Procon-BA identificar centenas de veículos parados em garagens. Em São Paulo, uma coligação afirmou que apenas cerca de 60% da frota estava em circulação, e a prefeitura declarou ter recebido notificação judicial e cobrado cumprimento das concessionárias, atribuindo dificuldades a ajustes nas escalas de trabalho. Em Salvador, a investigação levou à prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, segundo registro da Polícia Federal.
Em outros pontos do país surgiram relatos semelhantes: dificuldades de embarque em embarcações no Pará com destino à ilha de Marajó e restrições apontadas em municípios da Região Metropolitana de São Paulo, além de registros no Piauí, Paraíba, Alagoas e no Rio de Janeiro. Em Sergipe, o Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária informou ter reforçado a frota e garantido gratuidade, com a inclusão de cerca de 20 veículos diante de uma procura que superou as expectativas. A repetição desses episódios reacende lembranças de problemas registrados em 2022, quando observadores também relataram atrasos em operações de fiscalização.
Do ponto de vista político e institucional, o episódio acende alerta sobre a capacidade de administrações municipais e estaduais de assegurar condições básicas para o exercício do voto. A OEA avaliando o tema amplia o escrutínio internacional sobre a organização do pleito e torna as respostas do TSE e dos tribunais regionais mais relevantes politicamente. Para além das medidas imediatas — recomposição de frota, ordens judiciais e averiguações policiais —, o conjunto de relatos tende a ampliar desgaste sobre gestões locais e a provocar demanda por respostas administrativas e legais mais claras. A missão da OEA disse que continuará acompanhando os desdobramentos e as decisões das autoridades eleitorais.