A Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou a eleição brasileira como uma jornada cívica e pacífica, no relatório preliminar divulgado após missão com 91 observadores. A entidade enalteceu a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais por demonstrarem capacidade técnica, logística e organizacional durante o processo.

O documento também registra avanços operacionais: enfatiza a participação de pesquisadores e especialistas nos testes das urnas, cita cobertura biométrica de 89% do eleitorado e destaca a ampliação de serviços eletrônicos — como a plataforma de Autoatendimento e o aplicativo e-Título — que facilitaram o acesso do eleitor ao sistema. Esses elementos, segundo a OEA, contribuem para a eficiência do pleito.

Ainda que ateste a lisura do processo, a missão aponta pontos que merecem atenção. A OEA identificou um clima de forte polarização e judicialização, além de confrontos pessoais e, especialmente, narrativas de desinformação direcionadas a gerar desconfiança sobre a integridade do sistema eletrônico de votação. Esse tipo de campanha, avalia a organização, acende alerta sobre o custo político de erosão de confiança nas instituições eleitorais.

Entre os pontos de atenção práticos, o relatório cita a ausência de um debate presidencial e a falta de critérios jurídicos uniformes na Justiça Eleitoral para lidar com o uso de imagens reais ou geradas por inteligência artificial em propaganda. O diagnóstico da OEA expõe contradições: avanços técnicos coexistem com riscos de narrativa que podem complicar a confiança pública. A lição é clara para TSE, Congresso e atores políticos: será preciso combinar transparência, comunicação assertiva e medidas legais mais claras para blindar o processo eleitoral contra campanhas que visem, deliberadamente, deslegitimá‑lo.