Até a tarde de terça-feira (28/7), apenas oito das 21 legendas intimadas pelo relator do caso no Supremo, ministro Flávio Dino, enviaram explicações sobre a participação de dirigentes partidários na definição e distribuição de emendas parlamentares. O prazo de 10 dias úteis termina nesta quarta (29). As siglas que já se manifestaram foram: PL, MDB, PDT, PSDB, PSD, PSol, Novo e PCdoB.
Em suas defesas, nenhuma das legendas reconheceu prerrogativa formal de presidentes nacionais para indicar recursos, alegando que a destinação é competência exclusiva de deputados e senadores. O PL, após declaração pública do seu presidente Valdemar Costa Neto sobre participação de dirigentes no direcionamento de emendas, disse que o termo foi usado em sentido coloquial e que Valdemar faz apenas “sugestões políticas”. A presidência da Câmara afirmou não identificar inconsistência, lembrando que sua função limita‑se à indicação e aprovação orçamentária.
A investigação da Polícia Federal já encontrou indícios relacionados a 21 emendas específicas, o que colocou sob pressão tanto partidos quanto a articulação orçamentária no Congresso. Dino considera que a prerrogativa de destinação deve ficar estritamente com parlamentares para assegurar transparência e rastreabilidade — preocupação que ressoa diante do temor de formação de um “novo orçamento secreto”. Com o encerramento do prazo, o relator deve encaminhar as respostas recebidas à PF para aprofundamento investigativo.
O silêncio de 13 legendas aumenta o custo político do episódio e acende alerta sobre lacunas de controle nas regras atuais. Entre os não manifestantes estão siglas relevantes do Congresso, como PT, União Brasil e Republicanos, segundo a notificação. O desfecho pode forçar mudanças regulatórias para reduzir espaço de opacidade, além de cobrar politicamente quem atuar fora da formalidade do processo legislativo.