O segundo turno das eleições estaduais consolidou, neste domingo (25), um mapa partidário mais concentrado: a partir de 2027 apenas oito legendas estarão no comando das 27 unidades da Federação. O PL mantém a liderança, com seis governos — Paraná (Sergio Moro), Rio de Janeiro (Douglas Ruas), Rio Grande do Sul (Luciano Zucco), Rondônia (Marcos Rogério), Roraima (Arthur Henrique) e Santa Catarina (Jorginho Mello).
O PSD sai do pleito com cinco estados — Amapá (Dr. Furlan), Amazonas (Omar Aziz), Maranhão (Eduardo Braide), Pernambuco (Raquel Lyra) e Sergipe (Fábio Mitidieri). PP, PT e Republicanos fecham o grupo com quatro governos cada: o PP agrega Acre e Distrito Federal às vitórias já obtidas em Mato Grosso do Sul e Paraíba; o PT segue nos principais estados do Nordeste que já governava; o Republicanos completa sua presença com Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo. PSDB terá dois estados, enquanto MDB e Podemos governarão, respectivamente, Goiás e Pará.
Além do efeito simbólico, a concentração em poucas legendas tem implicações práticas: governadores definem prioridades de gasto em saúde, educação, segurança e infraestrutura e negociam repasses e obras com a União e prefeitos. Com oito partidos dominando os comandos estaduais, aumentam as possibilidades de coordenação regional, mas também as disputas internas por verbas e nomeações. Para candidatos e pré-candidatos à Presidência, o novo arranjo muda o tabuleiro de alianças e pode acender alerta sobre onde será mais difícil formar maiorias nacionais.
Do ponto de vista institucional, o resultado reforça duas tendências opostas: por um lado facilita, em tese, a construção de blocos regionais capazes de pressionar o Planalto por agendas específicas; por outro, concentra poder em legendas que agora têm maior capacidade de veto sobre projetos nacionais que dependam de cooperação com os estados. O retrato que emerge é de um país onde a fragmentação parlamentar convive com uma hierarquia estadual mais definida — cenário que promete influenciar negociações orçamentárias e estratégias políticas até 2026 e além.