Relatores especiais das Nações Unidas manifestaram, em 21/10, preocupação com a atuação da Meta no contexto da disputa eleitoral brasileira. No documento, peritos independentes alertam que medidas de moderação, sistemas de recomendação e ferramentas de inteligência artificial podem ter interferido no acesso à informação, na liberdade de reunião pacífica e na capacidade de mobilização de setores da sociedade.

Os especialistas pedem que a empresa avalie se suas práticas produziram impacto desproporcional sobre um dos lados do debate e que forneça explicações públicas, mecanismos efetivos de reparação e procedimentos que garantam aplicação consistente e não discriminatória das regras. O texto ressalta ainda que reclamações precisam ser tratadas com celeridade durante o período eleitoral, porque recursos tardios podem gerar efeitos irreversíveis.

Relatórios de monitoramento citados pelos relatores apontam suspensão de contas, redução de visibilidade e limitações de compartilhamento que, segundo eles, teriam afetado de modo desigual vozes vinculadas a um dos polos da disputa. Os peritos lembram que plataformas e algoritmos não devem funcionar como árbitros invisíveis da política e recomendam conformidade com os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos.

Politicamente, a sinalização da ONU amplia a pressão sobre a Meta e levanta questões para autoridades, reguladores e o Judiciário: a percepção de tratamento desigual pode corroer confiança no processo e impulsionar pedidos de fiscalização, transparência e reparação. Para garantir eleições legítimas, dizem os especialistas, é preciso que as plataformas expliquem decisões e que juízes atuem com cautela ao validar medidas que impliquem restrição de expressão.