A ONU Mulheres no Brasil divulgou, em 18/9, o documento ‘10 Propostas pela vida das mulheres’, com recomendações direcionadas a candidaturas e partidos para as eleições de 2026. O material combina dados oficiais e medidas práticas e destaca uma contradição política: enquanto as mulheres representam 52,8% do eleitorado, ocupam apenas 17,2% das cadeiras da Câmara e 18,5% do Senado. Ao transformar números em exigências concretas, a iniciativa visa colocar igualdade de gênero como pauta central do próximo ciclo eleitoral.

Entre as sugestões estão metas e prazos para paridade e maior presença feminina em cargos eletivos e de nomeação; fiscalização do cumprimento de cotas e distribuição de recursos de campanha; medidas para combater violência política de gênero, com aplicação efetiva da Lei 14.192/2021; e políticas públicas que vão da prevenção à resposta em casos de violência. O documento também enfatiza a necessidade de tratar o machismo como questão pública, implantar o Plano Nacional de Cuidados com orçamento e ampliar acesso a trabalho formal, qualificação e proteção social, com atenção especial às mulheres negras e indígenas.

Politicamente, as propostas aumentam o grau de cobrança sobre partidos e candidaturas: exigem transparência, resultados publicados e compromissos mensuráveis que podem virar critério de avaliação por eleitores, organizações civis e fiscalizações. A ênfase em financiamento justo e na entrega pontual de recursos às candidatas muda o foco do debate interno dos partidos para mecanismos concretos de inclusão — e eleva o custo político de omissão. Já a recomendação de dados públicos e formação contínua pressiona tribunais, corregedorias e instâncias partidárias a operacionalizar respostas mais rápidas ao assédio e à violência política.

Do ponto de vista institucional, implementar as propostas implica orçamento, coordenação entre esferas e comprometimento real com metas numéricas — não apenas linguagem retórica em campanhas. Para 2026, a estratégia da ONU Mulheres tem potencial de virar referência de cobrança: partidos que não apresentarem planos claros podem enfrentar desgaste; candidaturas que incorporarem as medidas ganham trunfo de legitimidade junto a eleitoras e movimentos sociais. Em resumo, o documento transforma demandas históricas em parâmetros com impacto direto no calendário eleitoral e nas responsabilidades dos atores políticos.