O prazo para desincompatibilização terminou em 4 de março e resultou na saída de 11 governadores que deixaram os postos para disputar cargos nas eleições deste ano. A movimentação reflete a pressão natural do calendário eleitoral e redesenha arranjos locais, obrigando partidos e vice-governos a reorganizar estratégias em caráter de urgência.

Entre os que saíram, dois se colocaram como pré-candidatos à Presidência: Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG). Ambos encerram mandatos que serviam de vitrine política para projetos nacionais, e suas decisões alteram o equilíbrio de forças regionais, ao mesmo tempo em que lançam sinais à base aliada e ao eleitorado sobre novas frentes de disputa.

As saídas redesenham o mapa de poder nos estados e obrigam partidos a reorganizar estratégias locais.

A maior parte dos afastamentos mira o Senado: Ibaneis Rocha (MDB-DF), Wilson Lima (União-AM), Gladson Cameli (PP-AC), Renato Casagrande (PSB-ES), Mauro Mendes (União-MT), Antonio Denarium (PP-RR), Helder Barbalho (MDB-PA) e João Azevêdo (PSB-PB) formalizaram saídas com esse objetivo. No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) também deixou o cargo para tentar vaga, mas enfrenta impedimento por condenação do TSE até 2030.

Além do movimento de candidaturas, as renúncias têm efeito imediato na administração estadual: cadeiras foram deixadas a vices e equipes de transição, o que pode reduzir margem política para medidas mais arrojadas no curto prazo. Para os partidos é hora de costurar alianças e preencher lacunas eleitorais, cenário que pode ampliar negociações e concessões que pesem no orçamento e na governabilidade local.

O calendário eleitoral segue com convenções entre 20 de julho e 5 de agosto; o prazo final para registro das candidaturas é 15 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Os próximos meses serão decisivos para transformar as movimentações de março em estratégias concretas nas urnas.

A corrida ao Senado e à Presidência expõe efeitos imediatos sobre a governabilidade e amplia a necessidade de acordos rápidos.