A OpenAI informou à Polícia Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral que identificou conversas no ChatGPT em que pelo menos dois usuários manifestaram intenção de atacar, inclusive assassinar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa encerrou a conta de um dos envolvidos e, segundo disse, repassou os elementos à autoridades brasileiras por considerar existir risco concreto à segurança.

Documentos obtidos pela imprensa apontam que um dos interlocutores cogitou o uso de um fuzil de precisão, compartilhou símbolos nazistas e chegou a enviar imagem de uma torre que, conforme seu relato, poderia ser usada no ataque. Em determinado momento, o usuário perguntou ao chatbot quais seriam as consequências jurídicas caso matasse o presidente. A OpenAI afirmou que seus sistemas sinalizaram motivos razoáveis para notificar as autoridades.

A Polícia Federal confirmou o caso ao Correio Braziliense, mas advertiu que não comenta procedimentos em curso, citando a necessidade de preservar a eficácia das apurações. A notificação ao TSE também foi feita pela empresa, em linha com seu plano de conformidade eleitoral. Ainda não há informações públicas sobre medidas adotadas pelas autoridades após o envio dos documentos.

Além do fato em si, o episódio expõe um dilema institucional: plataformas privadas passam a atuar ativamente na detecção de riscos, enquanto o aparato estatal precisa reagir com velocidade e transparência. O caso acende alerta para a segurança em ano eleitoral, reforça o debate sobre regulação e responsabilidade das inteligências artificiais e impõe pressão para que investigação e prevenção não se confundam com uso político do episódio.