A Operação Heritage, determinada pelo ministro do STF Flávio Dino e deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, tem o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) entre os alvos. As investigações apuram crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. Entre as medidas estão a apreensão do passaporte do ex-governador, a proibição de contato entre investigados, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal e o pedido de bloqueio de bens de até R$316 milhões.

A apuração começou a partir da análise de um acordo de restituição tributária entre o estado de Mato Grosso e uma empresa de telefonia. Segundo a PF, há indícios de que a operação financeira teria servido para desviar mais de R$308 milhões. A investigação aponta o uso de estruturas complexas — fundos de investimento em cascata e empresas de fachada — para ocultar origem e destino dos recursos, segundo os autos.

O episódio tem implicações políticas imediatas. Mendes deixou o governo para disputar uma vaga no Senado; a investigação aumenta a pressão sobre sua candidatura e expõe o União Brasil a custo reputacional no momento em que a oposição e o eleitorado buscam sinais de integridade. Ainda não houve posicionamento público do ex-governador até a publicação desta reportagem.

Além do impacto eleitoral, a operação levanta questões institucionais sobre controle de contratos públicos e mecanismos de fiscalização em estados. A atuação convergente do STF e da PF indica que as autoridades tratam o caso como de alta gravidade. As medidas cautelares determinadas — apreensão de passaporte, bloqueio de bens e afastamento de sigilos — marcam as próximas fases da investigação, cuja profundidade e desdobramentos devem determinar efeitos jurídicos e políticos mais concretos.