A bancada de oposição no Senado marcou posição nesta quarta-feira ao cobrar publicamente do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), uma decisão sobre os pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A ofensiva decorre da divulgação de novas informações sobre a suposta relação do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, elemento que, segundo o PL, reforça críticas feitas à atuação de Moraes e legitima a abertura de processo formal.
Carlos Portinho (PL-RJ), líder do partido na Casa, disse que os senadores não querem mais apenas pedir renúncia: a orientação é transformar a insatisfação em iniciativa de impeachment. O discurso da oposição busca pressionar Alcolumbre diariamente a colocar o tema em pauta, ao mesmo tempo em que evita, por ora, medidas de obstrução que exigiriam uma maioria mais ampla — o grupo afirma contar com 32 senadores, insuficientes para paralisar votações de forma efetiva.
Além do mecanismo institucional, a estratégia política é dupla: ampliar a bancada nas eleições seguintes e aguardar um eventual novo comando do Senado para retomar o processo com maior respaldo. Portinho também vinculou a ofensiva contra Moraes a outra bandeira da base bolsonarista, a discussão sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, sinalizando que a pauta judicial pode ser replicada como instrumento de pressão política no próximo ano.
A cobrança expõe um nó político para Alcolumbre e para o Senado: optar por engavetar os pedidos pode ampliar a percepção de proteção entre poderes; avançar de imediato, por sua vez, escalaria o conflito institucional com o STF. Para a oposição, a mobilização pública funciona como tentativa de transferir o custo político ao presidente do Senado — e ao mesmo tempo testar o apelo eleitoral e legislativo de uma agenda que mistura questionamentos à atuação do Judiciário e revisão de decisões sobre os atos de 8 de janeiro.