Brasília — A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Jair Bolsonaro provocou imediata reação da cúpula da oposição nesta segunda-feira (13). Além da proibição, Moraes determinou a apuração sobre possível propaganda eleitoral antecipada relacionada à leitura pública de uma carta atribuída ao ex-presidente. A defesa de Flávio terá 48 horas para se manifestar, e cópias da decisão foram remetidas à Procuradoria-Geral Eleitoral.
Líderes do PL qualificaram a medida como excessiva e com potencial efeito político. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a restrição busca tornar o ex-presidente incomunicável e configurar interferência indevida no jogo político. O líder do partido no Congresso, Izalci Lucas (PL-DF), criticou a decisão sob o ponto de vista do direito de defesa e do convívio familiar, descrevendo-a como um expediente que, na avaliação dele, tenta enfraquecer o principal campo de oposição.
Parlamentares aliados também traçaram paralelo com episódios anteriores: citaram a possibilidade de comunicação de presos políticos em outros casos como elemento para acusar tratamento desigual. Deputados como Rodrigo Valadares e Ubiratan Sanderson repercutiram a decisão nas redes sociais, apontando duas medidas distintas entre situações comparáveis e acusando o ministro de atuar com motivação política. As declarações alimentam, entre opositores, a narrativa de perseguição institucional.
Politicamente, a medida tem efeito ambíguo. Por um lado, reforça na base bolsonarista a percepção de interferência judicial e pode ser convertida em instrumento de mobilização eleitoral. Por outro, expõe o STF a críticas de suposta politização e abre espaço para debates sobre limites legais à comunicação de pessoas sob custódia e sobre o tratamento equânime de casos sensíveis. Cabe agora à PGE e aos tribunais decidir se há elementos para configurar propaganda eleitoral antecipada e qual será o balanço entre segurança processual e garantias individuais.