Senadores da oposição articularam, na terça-feira (29/4), uma manobra para garantir a presença do senador Sergio Moro (PL-PR) na sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Embora não detenha mais cadeira titular — perdida após sua saída do União Brasil e ingresso no PL — Moro reapareceu na lista como suplente, condição que lhe permite participar dos debates, mas não votar.
A mudança decorre de rearranjos partidários que abriram espaço na comissão: com a saída de Moro de seu antigo partido, o PL o indicou como membro suplente, ao passo que a vaga de titular foi entregue a Renan Filho (MDB-AL), aliado do governo. Governistas também promoveram outras alterações recentes na composição da CCJ na tentativa de ampliar a base favorável ao indicado ao STF.
A iniciativa da oposição teve efeito prático e simbólico: impediu que Moro fosse afastado do principal palco de interrogação do indicado e garantiu questionamentos diretos a Messias, expondo contradições e pontos a esclarecer. Ao mesmo tempo, a articulação mostra que, apesar das movimentações do Planalto, o resultado da indicação permanece incerto e sujeito a disputa interna no Senado.
Politicamente, a troca deixa claro que o Palácio do Planalto está mobilizado para consolidar votos, mas também suscita custos. A presença de Moro na sabatina reforça a atenção pública sobre o processo e amplia a pressão sobre senadores cujo voto ainda é disputado. O desfecho na CCJ seguirá como termômetro da força governista e do apetite da oposição para complicar a narrativa oficial.