A oposição no Senado intensificou a mobilização para tentar atrasar a tramitação da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1. Com o relator Omar Aziz (PSD-AM) anunciado para apresentar parecer hoje na CCJ, parlamentares temem que o relatório mantenha o texto aprovado pela Câmara e abra caminho para votação em plenário já no esforço concentrado do início de setembro.
Para ganhar tempo e forçar debate técnico, senadores protocolaram emendas, pedem audiências públicas e estudam manobras regimentais, como pedidos de vista e votação nominal. Entre as emendas apresentadas estão as de Izalci Lucas (PL-DF), Hermes Klann (PL-SC) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que não vetam redução de jornada, mas retiram da Constituição uma fórmula única, defendendo flexibilização por atividade econômica.
A estratégia da oposição reconhece o dilema político: em ano eleitoral, rejeitar uma proposta com forte apelo entre trabalhadores pode ser custoso. Assim, o foco é alterá-la ou adiar a decisão, obrigando mais avaliação sobre efeitos em empregos, produtividade e custos para empresas. Isso ocorre num cenário em que a Câmara aprovou o texto por 461 votos a 19 e o Senado precisará de 49 votos favoráveis em dois turnos, caso a PEC saia da CCJ.
Além do componente político, há debate jurídico e econômico. Defensores de maior debate apontam risco de impactos setoriais diversos e pedem que a matéria passe pela CAE para medir efeitos sobre mercados e empregos. Especialistas também alertam para o desafio de preservar a redução de jornada sem permitir que acordos coletivos acabem por esvaziar o direito. O confronto entre velocidade de tramitação e pedidos por mais estudo promete marcar as próximas semanas no Senado.