A liderança da oposição na Câmara protocolou nesta quarta-feira no Senado um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Assinado pelo líder oposicionista Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e entregue à mesa do Senado, o documento acusa o magistrado de crime de responsabilidade por ter imposto restrições ao contato entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No texto encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a oposição solicita a abertura do processo de impeachment, a instalação de comissão especial e, ao final, a perda do cargo e a inabilitação de Moraes para exercício de função pública por oito anos. A peça sustenta que a decisão que limitou as visitas contrariou dispositivos legais e seria exemplar de, segundo os autores, abuso das prerrogativas do cargo.

Cabo Gilberto justificou a iniciativa como resposta a uma sequência de atos que, na avaliação da oposição, configurariam perseguição política e desrespeito à legislação — incluindo referência explícita à Lei 10.079, que trata do processo de impeach­ment. O líder declarou ainda que a bancada seguirá apresentando representações sempre que identificar o que considera ilegalidades por parte de ministros da Corte, condicionando o prosseguimento à decisão do Senado.

O protocolo cristaliza um novo capítulo da tensão entre setores do Congresso e a Suprema Corte. Independentemente da avaliação jurídica, a ofensiva tem efeito político imediato: pressiona a agenda do Senado, reforça a narrativa de confronto junto à base bolsonarista e transforma a tramitação em termômetro da relação institucional. Cabe agora ao presidente do Senado e à política interna da Casa definir se o caso seguirá para comissão ou ficará engavetado.