Em sessão conjunta do Congresso Nacional nesta quinta-feira (21/5), líderes da oposição intensificaram a pressão para que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), promova a leitura do requerimento que pede a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Deputados e senadores afirmaram que o documento já reúne o mínimo de assinaturas exigido pela Constituição e acusaram a presidência da Casa de retardar deliberadamente o ato formal necessário à instalação da comissão.

O líder da oposição, Izalci Lucas (PL-DF), afirmou que, vencida a barreira formal da leitura, a CPMI poderia ser criada imediatamente, e citou a expectativa de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensifique a mobilização pela abertura das investigações. Parlamentares do Novo, como o vice-líder Luiz Lima (RJ), e do bloco liberal, representado por Kim Kataguiri (Missão-SP), sustentaram que o regimento e decisões do Supremo Tribunal Federal deixam claro que, cumpridos os requisitos, não cabe à presidência impedir ou adiar a instalação.

A investigação ganhou força após a divulgação de áudios e mensagens que ligariam o banqueiro Daniel Vorcaro a negociações para financiar o filme Dark Horse, biografia sobre Jair Bolsonaro, com valores que poderiam chegar a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). A disputa parlamentar, porém, já reflete interesses divididos: setores governistas defendem um recorte focalizado nas relações do banco com o bolsonarismo, enquanto a oposição quer ampliar o escopo para apurar eventuais ligações com integrantes do atual governo e do Centrão.

O impasse sobre a leitura do requerimento transforma-se, assim, em prova de fogo para a credibilidade da Mesa Diretora e do comando do Congresso. Além de repercutir juridicamente — com possibilidade de recurso à jurisprudência do STF —, a postergação pode ampliar desgaste político, alimentar suspeitas de proteção e obrigar a oposição a escalonar pressão pública e institucional. O desfecho definirá não só o alcance da investigação, mas também a capacidade do Parlamento de fiscalizar atores financeiros com impacto direto na agenda política.