O deputado federal Otoni de Paula, antigo aliado da família Bolsonaro e hoje crítico do grupo, publicou um vídeo em que afirma que o senador Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil para escapar de investigações. Na gravação, Otoni relaciona a saída do parlamentar a suspeitas financeiras que envolvem o INSS e ao suposto financiamento do filme Dark Horse, apontando movimentações que, segundo ele, exigiriam esclarecimentos formais por parte do senador.

Otoni também citou a presença do advogado e empresário Willer Tomaz no bojo das suspeitas e questionou a destinação de R$ 134 milhões que, na sua narrativa, teriam relação com a produção cinematográfica. O deputado comparou ainda a postura de Flávio à adotada por Luiz Inácio Lula da Silva durante a Lava-Jato, argumentando que quem confia na própria inocência enfrenta os questionamentos no país — uma crítica direta ao que chama de falta de disposição para prestar esclarecimentos.

O episódio ocorre depois de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega de passaportes e impôs restrição à saída do país ao senador. Reportagens indicam que, após a derrota nas urnas, Flávio teria seguido para os Estados Unidos — informação tratada por aliados como movimento pessoal e por críticos como sinal de isolamento. A acusação de um ex-aliado acrescenta pressão política sobre o senador e sobre o PL, ao mesmo tempo em que coloca em foco a capacidade das instituições de acompanhar e esclarecer suspeitas envolvendo figuras públicas.

Do ponto de vista político, a declaração amplia desgaste e complica a narrativa oficial em torno da família Bolsonaro, forçando aliados a dar respostas rápidas sobre movimentações e viagens. Institucionalmente, o caso reforça a demanda por transparência nas apurações e por clareza sobre medidas cautelares. Resta ao senador e aos órgãos responsáveis pelo controle e pela investigação apresentar elementos que confirmem ou afastem as suspeitas; até lá, as acusações de Otoni passam a fazer parte do debate público e alimentar questionamentos sobre impunidade e tratamento diferenciado para políticos.