Aprovado pelo Senado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo disse nesta terça-feira que vai acelerar o julgamento dos processos envolvendo o Banco Master caso sua nomeação seja sancionada. Em saída do Ministério da Fazenda, após reunião com o ministro Dario Durigan, Lobo afirmou que a autarquia terá de promover um mutirão para reduzir o acúmulo de casos e dar respostas mais rápidas ao mercado.

Lobo ressaltou que os procedimentos relacionados ao banco ligado a Daniel Vorcaro — preso desde novembro de 2025 na primeira fase da Operação Compliance Zero — serão tratados pelo mesmo colegiado que analisa o conjunto de processos em atraso. Segundo o novo presidente aprovado, a CVM não fará diferenciação em função do acusado, e haverá priorização sem abrir exceções formais: parte dos casos ainda está em fase de inquérito e só chegará ao julgamento quando formalizado.

A promessa se insere num contexto de fragilidade institucional: a CVM vive desde julho de 2025 sob comando interino, com dificuldade para compor a diretoria e recuperar orçamento. Lobo espera a sanção presidencial para assumir em definitivo e disse buscar interlocução com a Fazenda para reverter perdas orçamentárias. No Supremo, o ministro Flávio Dino determinou que ao menos 70% da arrecadação da taxa de fiscalização seja destinada à CVM e exigiu um plano de reestruturação da fiscalização, medidas que podem ampliar recursos, mas exigem implementação técnica rápida.

Do ponto de vista político e regulatório, a promessa de acelerar julgamentos tem dupla leitura: por um lado, atende à demanda de mercado por celeridade e pode restaurar confiança; por outro, expõe a CVM a pressões e levanta dúvidas sobre capacidade operacional. Sem foco claro em aporte de pessoal e tecnologia — exatamente os pontos mencionados na decisão do STF — o mutirão corre o risco de se limitar a priorizações simbólicas. A resposta prática dependerá mais de recursos e gestão do que de declarações públicas.