O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (20/5) a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O nome obteve 31 votos favoráveis e 13 contrários, depois de ter sido aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A indicação foi enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de janeiro.

Lobo assumirá em caráter temporário, cumprindo o restante do mandato até julho de 2027, em substituição a João Pedro Nascimento, que deixou o cargo em julho do ano passado. Além da presidência, o plenário também aprovou Igor Muniz para uma diretoria. A diretoria da autarquia, porém, ainda tem três vagas em aberto, enquanto o Executivo encaminhou apenas duas nomeações.

Durante a sabatina, houve questionamentos sobre decisões relacionadas ao Banco Master, apontados por senadores como tema relevante para a supervisão da autarquia. A indicação de Lobo foi atribuída, nos bastidores, a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que negou ser padrinho político do nome. Esses elementos ampliam o debate sobre independência e composição técnica do colegiado.

Para o mercado e para a própria CVM, a combinação de mandato tampão e vagas em aberto reduz a margem para uma agenda regulatória consistente nos próximos anos. O resultado no Senado devolve à esfera política a responsabilidade de completar a diretoria e permite interpretações diversas sobre a influência de atores privados na recomposição da autarquia.