O PRTB protocolou na noite de sábado (15/8) o pedido de registro da candidatura de Pablo Marçal à Presidência da República, em substituição ao presidente nacional do partido, Leonardo Avalanche, que passou a constar como vice. O pedido foi apresentado já no fim do prazo para registros e, no sistema do Tribunal Superior Eleitoral, figura como "aguardando julgamento" — ou seja, só será considerado apto após análise da Justiça Eleitoral.

A troca na chapa só foi confirmada às vésperas do encerramento do prazo. Avalanche havia sido escolhido em convenção e chegou a ser citado em pesquisas divulgadas recentemente; segundo a legenda, ele conduziu nos bastidores a reaproximação que viabilizou o retorno de Marçal ao quadro partidário. A movimentação expõe uma articulação interna intensa e levanta dúvidas sobre a coerência da estratégia do PRTB para 2026.

O registro enfrenta um obstáculo jurídico relevante: Marçal responde a condenações eleitorais relativas à disputa municipal de 2024 que resultaram em inelegibilidade por oito anos, decisão que ele recorre. A liminar recente tratou apenas da filiação partidária e não anula as condenações; por isso, o pedido do PRTB seguirá sujeito ao crivo da Justiça Eleitoral e corre o risco de ser indeferido, com custo político e de imagem para a legenda.

Na declaração de bens entregue ao TSE, Marçal informou patrimônio na casa dos R$ 7,4 bilhões, majoritariamente em aplicações financeiras, incluindo um montante declarado em modalidade RDB/CDB. A combinação entre a aposta em candidatura judicialmente contestada e a exposição do elevado patrimônio tende a focalizar o debate público em torno da viabilidade da chapa, da origem dos recursos e da capacidade do partido de transformar o registro em candidatura competitiva para 2026.