O empresário e influenciador Pablo Marçal teve o registro da candidatura à Presidência protocolado pelo PRTB no último dia permitido — 15 de agosto — mesmo sendo alvo de decisão da Justiça Eleitoral que o torna inelegível até 2032. A inscrição só foi possível após uma liminar de primeira instância que autorizou sua saída do União Brasil e a filiação ao PRTB com data retroativa a 4 de abril, atendendo ao prazo mínimo de seis meses exigido pela legislação.

A liminar, porém, resolveu apenas a questão partidária. Cabe agora ao Tribunal Superior Eleitoral analisar o pedido de registro. Enquanto o TSE não julga, Marçal mantém todos os efeitos práticos de candidatura: participação em debates, propaganda e acesso a recursos partidários. Esse vácuo processual é uma característica do sistema eleitoral brasileiro: a inelegibilidade só se confirma quando a Justiça Eleitoral decide sobre o registro.

Especialistas consultados pelo Correio Braziliense avaliam que o desfecho tende a ser a barragem do registro. Condenações relacionadas a uso indevido dos meios de comunicação e ao que foi entendido como abuso de poder econômico durante a campanha municipal de 2024 são apontadas como fundamentos clássicos de inelegibilidade, de difícil reversão. Na prática, entretanto, a manutenção do nome em disputa cria palco político — exposição, debates e óculo eleitoral — que pode interessar tanto a Marçal quanto ao PRTB, mais pelo ganho de visibilidade do que por expectativa real de avançar.

Há, além da batalha jurídica, um nó político e institucional: o calendário eleitoral curto e a possibilidade de usar liminares e filiações estratégicas abrem espaço para candidaturas que ocupam tempo e recursos mesmo com baixa probabilidade de prosperar. Para adversários e para o próprio partido, a estratégia tem custos e benefícios — força narrativa e captação de atenção contra o risco de desgaste reputacional e de desperdício de fundos. Resta ao TSE decidir em semanas, num prazo que tem implicações concretas para a disputa e para a credibilidade do processo eleitoral.